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Estudos Avançados

Considerações sobre o grupo de formação em gestalt-terapia:
"Aprendi muito com meus mestres, mais com meus companheiros, mais ainda com meus alunos." (TALMUDE)

Todos temos sido educados em determinado estilo de valores, trazemos conosco estes valores e os aplicamos, como mandatos. Que lugar podemos dar a novas idéias sobre o modo de perceber o ser humano numa abordagem fenomenológica-existencial? Apenas quando tomamos consciência de qual é nosso próprio estilo de vida, nossos valores, nossos condicionamentos.
A idéia para os grupos de formação em gestalt-terapia está ligada a aplicações de premissas com um aporte humanista.
Algumas destas premissas seriam:
- Reestabelecer um modo fluido de contato e de trabalho que aproveite o que acontece no momento presente;
- Evitar preconceitos que dificultem o reconhecimento de situações e relações interpessoais;
- Incluir o erro como parte integrante da troca de aprendizagem;
- Apreciar a circularidade entre o que ensina e o que aprende;
- Saber mais de nós mesmos e se o que transmitimos é coerente com nossos princípios gestálticos-fenomenológicos, para não repetirmos modalidades pedagógicas frustrantes e ultrapassadas;
- Recuperar o novo e fluente para transmitir conhecimentos com entusiasmo e interesse, redescobrindo-se nesses momentos;
- Integrar seu sentir, seu pensar, seu corpo, sua palavra para que a espontaneidade e o planejamento se alternem com harmonia;
- O papel do transmissor da teoria gestáltica é o de uma pessoa simples que fala uma linguagem comum, sem confundir para ser respeitado, é verdadeiro no relacionamento, presente a cada encontro e cada troca é uma possibilidade de renovar-se.
- A tarefa de um instrutor ou professor vai muito além de simplesmente ser um transmissor de informações, ele é um sentinela das possibilidades, das falas autênticas. É um pré-verbal, descoberto ou despertado pelo verbal.
É este caminhar que nos põe na busca de recuperar o esquecido, de enxergar novamente o simples que, em nossa época, através do embotamento provocado pelo universo tecnológico, se tornou uma tarefa difícil.


"É necessário que, de uma maneira ou de outra, a palavra e a fala deixem de ser uma maneira de designar o objeto ou o pensamento, para tornar-se a presença deste pensamento no mundo sensível, e não sua vestimenta, mas seu emblema ou seu corpo".

Maurice Merleau Ponty

Um gestalt-terapeuta precisa estar pronto para aprender com seu aluno assim como o aluno precisa estar também pronto a aprender algo com o seu professor, porque é na realização desta intersubjetividade que acontece a premissa básica para a transmissão.
Todo o sistema racional se baseia em premissas fundamentais aceitas a priori. Interações baseadas na obediência, na exclusão, na negação, no preconceito não podem ser premissas de "formação", pois negam o outro como legítimo outro na convivência, negam a troca.
Instituições baseadas no argumento da racionalidade e da obrigação são anti-gestálticas, mas um professor que permite a responsabilidade com liberdade nem sempre é compreendido, e para isso precisa estar preparado para ainda assim não impor seus valores.
Ensinar gestalt-terapia é indagar e indagar-se. Não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e que nos põe pacientemente impacientes diante do mundo que não fizemos, acrescentando a ele algo que fazemos.
O formando deve ser estimulado a desenvolver sua criatividade e análise crítica, a identificar sua responsabilidade social pela escolha profissional, mantendo os compromissos éticos coerentes para um gestalt-terapeuta.
Ensinar é criar as possibilidades para que aconteçam produções próprias de pensar, de questionar, é a aceitação do diferente. Onde há vida, há movimento.
Todos nós profissionais do psiquismo humano podemos sentir muitas vezes a tentação de arrancar o véu que protege as pessoas, de eliminar suas defesas, de deixá-las nuas, mas é algo que pode ter resultados trágicos. Precisamos tomar consciência que somos muitas vezes treinados para ajustar os outros, para satisfazer necessidades humanas criadas em nós e podemos até acreditar que seja por amor. É importante para uma verdadeira democracia nos relacionamentos que se faça o diálogo e o respeito mútuo recíproco.
Buscar autonomia, enquanto amadurecimento do ser é processo, é vir a ser. Assim qualquer assimilar deve estar centrado no respeito à experiência com liberdade e responsabilidade de pensar, de expor, de trocar, de escolher.
O diálogo precisa estar sempre presente como instrumento de compreensão mútua e de superação das dificuldades, a sinceridade, a simplicidade no agir, o desenvolvimento de solidariedade e de cooperação, sensibilidade às necessidades do outro e, principalmente, disponibilidade de servir.
O desenvolvimento de uma democracia cognitiva só é possível numa reorganização do saber, a qual reclama uma reforma do pensamento capaz de permitir não somente a separação para conhecer, mas a ligação do que está separado.
O educar ocorre todo o tempo e de maneira recíproca e não só no momento de se transmitir conteúdos.
Como professores somos um devir, um contínuo ser variável.
Mas quem sou eu em determinado momento do processo de tornar-me um gestalt-terapeuta?
É preciso ter respeito pela própria história fenomenológica de vida, pelas habilidades que conseguimos desenvolver nesta trajetória, pelos nossos questionamentos, reflexões, mas acima de tudo buscando o verdadeiro significado de autenticidade de uma pessoa, a de que em todos os momentos o exterior reflita de fato o interior de cada um.

Reconhecer que somos condicionados em nossa estrutura não deve mobilizar-nos.

Segundo Sartre "O importante não é o que a sociedade faz com o homem, mas o que o homem faz com o que a sociedade fez com ele."

Segundo Martin Heidegger (1997).

Promover a capacidade de pensar do aluno.

Não se quer ensinar respostas, problemas, perguntas, doutrinas, mas desenvolver a capacidade própria de pensar. Todo homem tem uma contribuição a dar à vida do pensamento, de maneiras diferentes, esta contribuição é fundamental para o desenvolvimento da capacidade de pensar de todos.